sábado, 27 de fevereiro de 2010

NA INTERNET

É de se ficar espantado que os brasileiros não tenham fama internacional de burros. São. É só olhar algumas comunidades virtuais na qual pessoas do mundo todo preenchem um perfil. As Americanas têm um senso de humor irônico e, parece. que por mais lindas que sejam, lêem. Podemos não gostar dos autores delas, mas são autores respeitáveis na Europa central, no Japão. Já as brasileiras, e estou lendo aqui o perfil de uma delas chamada Karina Loka, não põem nada no lugar de livros. Ou se põem, antes não pusessem. De modo geral é assim: as muito lindas, muito vazias – não lêem nada. Uma mulher atrás da outra, de biquini, Joaquina’s Beach, apaixonadas por bungee jumping, e sem livros, sem livros. Onde americanas dizem que suas paixões são large ornate buildings, conspiracy theories, seeing odd things, writing, BDSM, the internet world, odd movies and music, being elitist, chaos, discordia, weird porn, as brasileiras lindas e semilindas dizem coisas como “minha família e o Rafa”, “abraçar cada momento como se fosse o último!!!”, ou mesmo “A VIDA!!!”. As pessoas se permitem ser caricaturas. As feias lêem, e lêem o equivalente literário de sua feiura desenxabida: todas meio gordinhas no rosto, meio amassadinhas, lêem a prosa meio gordinha, meio amassadinha, de Lya Luft. A sensação que dá, ao passar do perfil das mulheres americanas para o perfil das mulheres brasileiras, na maior parte das vezes, sempre na maior parte das vezes (há exceções tão encantadoras), é o de ir do centro do salão, aquele lugar com as garotas que lêem coisas legais e conversam um tanto rapidamente demais sobre suas experiências no Japão ou na Tailândia, para o canto do salão, onde a festa está morrendo, onde as luzes estão apagadas e um grupo de garotas feias e tristes estão fumando contra um muro, bebendo coca-cola, esperando que alguém se aproxime para recomendar um livro de auto-ajuda superlegal, juro. O Brasil é o fim da festa do mundo, o canto escuro onde as pessoas vão pra se beijar entre samambaias, fumar maconha. O Brasil todo é uma garota feia, com aparelho nos dentes, que “não lê muito”, chorando na garagem escura da casa que dá a festa.

Alexandre Soares Silva
http://soaressilva.apostos.com/

1 comentários:

Plenitude do Ser disse...

Quando li este texto fiquei pensando: segundo a visão deste cidadão, eu devo me encaixar no "padrão" das meninas brasileiras burras (por ser brasileira) e feias? pois segundo ele, "...as feias lêem, e lêem o equivalente literário de sua feiura desenxabida: todas meio gordinhas no rosto, meio amassadinhas, lêem a prosa meio gordinha, meio amassadinha, de Lya Luft..."

Não sou "meio gordinha", nem "meio amassadinha" mas adoro a obra nenhum pouco "gordinha" e "amassadinha" de Lya Luft. Assim como Clarice Lispector (que apesar de ter nascido na Ucrânia,seu coração era brasileiro) Cecília Meireles, Martha Medeiros e outras tantas brasileiras bonitas e inteligentes e que foram ou são apaixonadas pela arte da literatura.

Conheço muita gente, homens e mulheres braileiros que amam, cultivam, divulgam e propagam a leitura. Inclusive eu, que procuro todo mês presentear um leitor do meu blog, com um bom livro.

Generalizar dizendo que os brasileiros são burros, que o Brasil é todo uma garota feia e que somente as brasileiras feias lêem (o que faz pensar que lêem pq são feias)é ridículo e preconceituoso.

Desculpe a sinceridade.